Comida, Diversão e Arte

Em pleno período de campanha eleitoral nos deparamos com uma repetição de discursos dos candidatos em relação à aumento do salário mínimo, investimentos na saúde, segurança pública, educação e crescimento econômico. Não que estes não sejam assuntos relevantes, mas entre tantas desigualdades existentes no nosso país, algumas estatísticas sobre o tema Cultura, também causam grande perplexidade. Assunto absolutamente excluído da temática eleitoral, importante conhecer e refletir sobre as desigualdades no acesso à produção cultural no Brasil.

• Entretenimento: Apenas 13% dos brasileiros frequentam cinema alguma vez no ano. 92% dos brasileiros nunca frequentaram museus. 93,4% dos brasileiros jamais frequentaram alguma exposição de arte. 78% dos brasileiros nunca assistiram a um espetáculo de dança, embora 28,8% saiam para dançar. Mais de 90% dos municípios não possuem salas de cinema, teatro, museus e espaços culturais multiuso.

• Livros e Bibliotecas: O brasileiro lê em média 1,8 livros per capita/ano (contra 2,4 na Colômbia e 7 na França, por exemplo). 73% dos livros estão concentrados nas mãos de apenas 16% da população. O preço médio do livro de leitura corrente é de R$ 25,00, elevadíssimo quando se compara com a renda do brasileiro nas classes C/D/E. Dos cerca de 600 municípios brasileiros que nunca receberam uma biblioteca, 405 ficam no Nordeste, e apenas dois no Sudeste.

• Acesso à Internet: 82% dos brasileiros não possuem computador em casa, destes, 70% não têm qualquer acesso à internet (nem no trabalho, nem na escola).

• Profissionais da Cultura: 56,7% da população ocupada na área de cultura não têm carteira assinada ou trabalham por conta própria.

Frente a estes alarmantes dados (IBGE 2009) torna-se imprescindível o reconhecimento dos direitos culturais como necessidade básica e direito dos cidadãos, o que conduz à busca de uma agenda integrada com as políticas sociais e de desenvolvimento. Sobre essas desigualdades no acesso à produção cultural é fundamental cuidar para que, ao contrário, o crescimento econômico, tão almejável e priorizado na maoria dos governos e população, não faça com que tais desigualdades sejam ainda mais exacerbadas.

A focalização das políticas culturais nos níveis estaduais e municipais pode favorecer a superação desse quadro e reforçar a diversidade cultural como fator da sustentabilidade do desenvolvimento.

“A gente não quer só comida, a gente quer comida, Diversão e Arte”

(Titãs).

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