Governo articula uma grande nuvem privada para órgãos federais

Tema recorrente no mercado de TI, a computação em nuvem vem despertando atenções, já há algum tempo, no âmbito do Governo Federal, em que se discute a melhor forma de aproveitar o potencial oferecido por esse modelo. O Governo Federal, por exemplo, está articulando a criação de uma grande nuvem privada para atender as empresas e órgãos federais, por meio de um projeto que está sendo conduzido pelo Serpro em conjunto com a Dataprev, a Telebrás e as universidades reunidas no Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad). O projeto está em homologação no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), que deverá aprovar um financiamento em até três meses. A grande nuvem trata-se da primeira iniciativa mais ampla do Governo Federal para utilizar a arquitetura de cloud computing para otimização de recursos, redução de custos com licitações de equipamentos e melhoria dos serviços aos cidadãos. Por enquanto, o projeto está restrito ao Governo Federal, mas a ideia, numa segunda etapa, é envolver também as empresas estaduais e municipais. A ideia surgiu na coordenação estratégica de tecnologia do Serpro, dedicada aos estudos ligados à inovação, que nos últimos dois anos acompanhou os movimentos mundiais dos governos, especificamente da Europa e dos EUA. Surgiu daí a proposta de criar um centro de inovação e computação em nuvem, usando as instalações do Serpro no Rio de Janeiro, mas com a nuvem gravitando onde houver capacidade operacional livre dos recursos computacionais do Serpro e da Dataprev e dos datacenters de alto desempenho das universidades que compõem o Sinapad – entre elas UFRGS, Unicamp, LNCC, UFRJ, UFC e UFMG -, todos interligados pela rede da Telebras. Em entrevista exclusiva à TIC Mercado, Adriano Martins, analista da Coordenação Estratégica de Tecnologia do Serpro, falou sobre a iniciativa. Segundo Martins, através do projeto, que está em fase de construção, mais pessoas poderão acessar mais serviços por um preço mais barato. Além disso, de acordo com o analista do Serpro, será mais fácil ter vantagem competitiva e rapidez na entrega de serviços para o cidadão.

TIC – O governo federal articula a criação de uma grande nuvem privada para atender as empresas e órgãos federais. Como está o processo de implantação e qual a sua viabilidade?

Adriano Martins -O Governo está em fase de construção de um projeto o qual envolverá SERPRO, LNCC, MCT, DATAPREV e Telebrás, além de Universidades integradoras da rede já existente da LNCC. A idéia é que em sua primeira fase se construa, em cima de casos reais, protótipos em laboratório para verificação de viabilidade técnica e depois se estude a forma de entrada nos órgãos, além de maneiras que todos possam se beneficiar. Os objetivos globais são de promoção de inovação de TIC através dos conceitos de nuvem e inovação na forma de comunicação entre órgãos e sistemas (interoperabilidade), além do fomento de transferência tecnológica entre as esferas do governo.

TIC – Como funcionará o projeto? Estados e municípios estão inclusos na ideia inicial?

Adriano Martins -O projeto terá as seguintes estratégias: Formação de uma rede nacional de pesquisa voltada para os problemas levantados; Formação de uma rede nacional de empresas fornecendo a demanda para pesquisa aplicada: problemas e dados reais; Criação de um espaço físico capaz de suportar a colaboração direta dos principais atores; Criação de um espaço virtual que estimule a cooperação entre todos os atores; Disponibilização de recursos de custeio aos grupos de pesquisa; Disponibilização de recursos de hardware; e Educação e Treinamento.

Inicialmente, esta será uma iniciativa do governo federal, mas que permitirá integração com estados e municípios para provimentos de serviços que sejam passíveis de uso por todos. Todos as esferas estarão envolvidas, mas deve-se estar atento para a padronização no momento em que infraestruturas, dados, aplicações e pessoas estiverem linkadas.

TIC – Quando implantada a grande nuvem, de que forma vai gerar otimização de recursos, redução de custos com licitações de equipamentos e melhoria dos serviços aos cidadãos?

Adriano Martins – A otimização de recursos virá graças ao aproveitamento da economia de escala na qual os conceitos de nuvem estão calcados. Mais pessoas poderão acessar mais serviços por um preço mais barato, será mais fácil ter vantagem competitiva e rapidez na entrega de serviços para o cidadão. Com o conceito de computação em nuvem, as organizações podem optar por terem uma estrutura de TI dentro de um grande provedor de nuvem, como o SERPRO, não se preocupando com questões de software, hardware e pagando somente o que for utilizado.

TIC – Pode-se dizer que o Expresso na nuvem é um primeiro passo?

Adriano Martins -O Expresso é algo que já está acontecendo em virtude de o mercado e clientes não esperarem por melhorias. Há uma área criada, especificamente seu estudo e os resultados devem vir antes desta iniciativa maior. A equipe está bem adiantada nos trabalhos.

TIC – Quais os desafios do projeto?

Adriano Martins -Os maiores desafios são armazenamento de dados seguro, acesso rápido e padronização. Armazenar grandes volumes de dados está diretamente relacionado à privacidade, identidade, preferências de aplicações centralizadas em locais específicos. Isso levanta muitas preocupações sobre a proteção dos dados. Essas preocupações são pertinentes ao framework legal que deve ser implementado para um ambiente de computação em nuvem.

Outra preocupação é a banda larga. Computação em nuvem é impraticável sem uma conexão de alta velocidade (daí a integração com a Telebrás), caso tenha-se problema de alta velocidade, a computação em nuvem torna-se inviável para órgãos das pontas acessarem os serviços com a qualidade desejada. Padrões técnicos são necessários para que se tenha todo o arcabouço de computação em nuvem funcionando. Entretanto, eles não estão totalmente definidos,
publicamente revistos ou ratificados por um órgão algum. Não existe essa padronização nem da academia nem do mercado. Até mesmo consórcios formados por grandes corporações necessitam transpor esse tipos de obstáculos e terem uma solução factível para que possam evoluir e gerar novos produtos que contribuam de alguma forma para a nuvem. Sem essa definição precisa, ainda espera-se entregas em ritmo não tão acelerado.

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