O que querem os cidadãos?

Dra. Tania C. D. Bueno

Os cidadãos buscam cada vez mais uma relação direta e equilibrada com o poder público. É o que se observa com o uso das redes sociais. Cada vez mais “comunidades” se organizam em rede em busca de soluções para os seus problemas: informam, compartilham, discutem e decidem questões do quotidiano de forma a influenciar desde políticas públicas, até a existência ou não de governos.

As pessoas cada vez mais se conectam nas redes sociais, também denominadas mídias sociais, formando grupos de pressão de forma espontânea, com velocidade e efetividade. E qual a razão disso?
As redes sociais permitiram ao cidadão comum uma independência tecnológica e uma liberdade de pensamento jamais vista. Praticamente não há censura nas mídias sociais e quase nenhum controle do Estado. Evidente que a inteligência governamental está movimentando-se neste sentido, mas o controle ainda é incipiente.

Mas uma pergunta ainda fica no ar: o que querem os cidadãos?
Governantes reclamam da participação pública quando abrem espaço para discussão de políticas públicas; a falta de participação do cidadão em discussões importantes é comum e quanto ela ocorre é para “impedir” ou reclamar uma ação ou iniciativa governamental. Além disso, as contribuições, quando existem, falham na análise e no estudo.
Por outro lado, quem tem condições de contribuir com estudos e avaliações não consegue estabelecer uma relação de compartilhamento informações e influência no ambiente político. São os pesquisadores e consultores que não conseguem que o seu conhecimento seja usado neste ambiente de forma efetiva.

Recentemente a UNCTAD-OMC-ITC* realizou um workshop com o intuito de diminuir o fosso entre pesquisadores e políticos e observou-se que os resultados de uma investigação só vão contribuir para o desenvolvimento da política nacional “se pesquisadores e formuladores de políticas cooperarem estreitamente para entender as necessidades específicas, garantir a relevância dos tópicos, além de melhorar a comunicação, divulgação e implementação das recomendações da pesquisa”.

Enquanto isso, pesquisadores buscam soluções. Uma dessas idéias é o Gestor de Redes Sociais (GRS-i3G). A criação de um ambiente de Gestão de mídias sociais pode melhorar e muito a aproximação entre políticos, cidadãos e pesquisadores. O político necessita ir até essas comunidades virtuais e colocar-se a disposição para “ouvir” as manifestações que surgem de forma espontânea e então utilizar-se do conhecimento de pesquisadores para gerar soluções.
Um bom ambiente de Gestão de Mídias sociais deve usar tecnologias para armazenar, interpretar e divulgar resultados de forma dinâmica, com velocidade e qualidade. É para isso que existem as tecnologias de inteligência artificial, cloud computing e as redes sociais propriamente ditas.

A criação de Swapps (Social Web Applications) permite a aproximação do cidadão na sua comunidade virtual, dentro do contexto da comunidade e no modelo colaborativo. Os Swapps disponibilizados pelos GRS-i3G integram dados das redes sociais mais utilizadas pelo cidadão, ou seja, Facebook e Twitter, além de blogs e aplicativos móveis de geolocalização.

O próximo passo da evolução desses programas, será permitir compartilhar informações sobre localização com contatos e acompanhar onde eles estão, será o uso intensivo de aplicações de recomendação social, tais como a indicação de locais, produtos ou serviços: é a utilização de redes sociais e aplicativos móveis de geolocalização, como Foursquare, Yelp, Google Maps, Yobongo, Apontador, Kekanto, etc.

Com isso, é possível concluir que o avanço da tecnologia da informação está fornecendo ao ser humano um ferramental revolucionário. Como, quando e para quê utilizá-lo é o cidadão quem decide. Pesquisadores e políticos tem o dever de auxiliar este movimento e, ao disponibilizarem recursos e conhecimento estarão contribuindo para o fortalecimento da cidadania.

*Veja mais: http://vi.unctad.org/tda/papers/tradedata/tdarecs.PDF
http://www.i3g.org.br/grs-laguna/sobre

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